Passou a noite em claro, questionando-se por que pessoas boas que teriam um futuro pela frente, que são felizes, que amam a vida, que fazem e tem projetos de vida a longo prazo, morrem por motivos bestas, morrem por doenças.
A vida é sádica! "Eu não entendo essa lógica... não entendo mesmo... isso é cruel..." Perguntava-se por que ainda estava ali ocupando espaço?
Era sempre a última pessoa a sair do meu trabalho, na esperança de que sofresse uma tentativa de assalto no ponto de ônibus, e após reagir, seria baleada ou esfaqueada... e morreria lá mesmo no ponto de ônibus, depois de um dia exaustivo de trabalho. Poético! O ruim é que entraria para as estatísticas de violência, e não para as estatística de alguém que não queria mais viver.
O cansaço era nítido, estava exausto! Queria chorar. Ironicamente, até chorar, não conseguia! Fracassara até nisso, fracassara num choro patético. A garganta era estrangulada, o sufocamento era constante.
Sentia o olhar de julgamento dos pais, quando saía do quarto. Tinha a certeza que eles pensavam que aquele comportamento era, logicamente, um ou mais pecado(s) capital(is). A certeza de que ao menos um deles permanecia ali pairando no ar. Era a a preguiça, com ingratidão, com "luxos". Vez ou outra, a mãe dissera que ele parecia um rei com todos a sua disposição... A mãe o chamava de rei. O elogio era, claro, um sarcasmo banhado em soda cáustica.
Isso doía [e corroía] também: Rei!
Em pensamento, ele seria um rei feliz com os vermes comendo sua fria carne! [Machado, peço perdão! Machado, não se revire onde quer que esteja!]. Seria um rei feliz ao deixar de ser um fardo para as pessoas. Seria um rei feliz ao não mais ocupar horas e horas de alguém ouvindo-o reclamar da sua vida patética e rasa... Seria um rei feliz não respirando mais.
11:31, vigésimo oitavo dia do oitavo mês de 2025.
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