quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Dia 29 - almoço

Passou a noite em claro, questionando-se por que pessoas boas que teriam um futuro pela frente, que são felizes, que amam a vida, que fazem e tem projetos de vida a longo prazo, morrem por motivos bestas, morrem por doenças.

A vida é sádica! "Eu não entendo essa lógica... não entendo mesmo... isso é cruel..." Perguntava-se por que ainda estava ali ocupando espaço? 

Era sempre a última pessoa a sair do meu trabalho, na esperança de que sofresse uma tentativa de assalto no ponto de ônibus, e após reagir, seria baleada ou esfaqueada... e morreria lá mesmo no ponto de ônibus, depois de um dia exaustivo de trabalho. Poético! O ruim é que entraria para as estatísticas de violência, e não para as estatística de alguém que não queria mais viver.

O cansaço era nítido, estava exausto! Queria chorar. Ironicamente, até chorar, não conseguia! Fracassara até nisso, fracassara num choro patético. A garganta era estrangulada, o sufocamento era constante.

Sentia o olhar de julgamento dos pais, quando saía do quarto. Tinha a certeza que eles pensavam que aquele comportamento era, logicamente, um ou mais pecado(s) capital(is). A  certeza de que ao menos um deles permanecia ali pairando no ar. Era a a preguiça, com ingratidão, com "luxos". Vez ou outra, a mãe dissera que ele parecia um rei com todos a sua disposição... A mãe o chamava de rei. O elogio era, claro, um sarcasmo banhado em soda cáustica. 

Isso doía [e corroía] também: Rei! 

Em pensamento, ele seria um rei feliz com os vermes comendo sua fria carne! [Machado, peço perdão! Machado, não se revire onde quer que esteja!]. Seria um rei feliz ao deixar de ser um fardo para as pessoas. Seria um rei feliz ao não mais ocupar horas e horas de alguém ouvindo-o reclamar da sua vida patética e rasa... Seria um rei feliz não respirando mais.

11:31, vigésimo oitavo dia do oitavo mês de 2025.

sábado, 2 de agosto de 2025

Dia 03 - noite

 Um dia vazio... lembranças... raiva... cansaço... desânimo...

Assim ele definiu mais um dia que passou em branco. Desviando do espelho no banheiro, voltou para a cama.


22:44, segundo dia do oitavo mês de 2025.


 


sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Dia 02 - parte da manhã

"Acordei de mais uma noite de cochilos... pensamentos acelerados... mensagens para responder... trabalhos para serem concluídos... estômago enjoado...

Não quero falar com ninguém... não quero ouvir as fórmulas imediatistas... a cabeça está pesada... quero sair de mim, mas estou preso, no meu pescoço algo parece apertar, não sei explicar...

Será que Deus conserta imediamente um osso quebrado? Ou será que esse osso precisa de tempo para ser consertado, recuperado? 

Será que Deus conserta imediamente, depois de horas de orações, uma válvula cardiáca com defeito? Ou faz um pâncreas funcionar corremente? Se sim, preciso desse milagre... preciso aprender a orar... 

Minha ignorância sabe que não é bem assim, não é algo imediatista... um pâncreas não voltará a funcionar da noite para o dia... um rim danificado não se regenera... meu cérebro dói, estou cansado... realmente muito cansad0... enjoado... quero deitar e fechar os olhos, descansar por algumas horas... posso? Ao que tudo indica, pelo universo a minha volta, não posso... tenho que ser forte... falta Deus... falta eu ocupar a mente... trabalhar... não me cobrar! 

Espera! Eu trabalho... minha relação com Deus não é lá essas coisas... voltei aos estudos... o que falta? 

Ah! Falta a atividade física... 

Penso: em que horário? Boa pergunta! Eu que sou um desorganizado do tempo... Segurei a cabeça com uma das mãos... meu cérebro dói, quero chorar e não consigo... não consigo ouvir minhas músicas favoritas... até elas me irritam... quero dormir... estou exausto... 

Socialmente preciso sorrir, ser educado... preciso de um banho... a água dói... posso dormir? 

Sim... estou egoísta..." 

Ao reler o que escreveu, ele percebeu que o que mais o assustava era o ponto final. E por isso, a reticência em usá-lo... Deixou a caneta sobre o papel e voltou para a cama!

11:32, primeiro dia do oitovo mês de 2025.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Vinte e sete... trinta fevereiros...

Chega uma hora que a mente dá um "branco". Pode ser o cansaço mental. Pode ser o fato de realmente não ser necessário mensurar o tempo. Contudo, ao pensar na data de hoje, precisei recorrer a uma calculadora - sim, o mal desta nova geração que habita em mim saúda o mal desta geração que há em você - preguiça de raciocinar!!! [Para que esforçar as células neurais, se podemos simplesmente dar uma descanso a elas utilizando uma máquina criada para pensar por nós?!]**

Sim, irônico, porque, cá estou com minhas mãos num teclado, ao invés de estar com uma das melhores amigas do Manoel Gomes* e uma folha de celulose. 

No início era assim, lembra?! A antecipação de escolher um cartão que representasse nosso momento, pensar em um presente "lembrancinha humilde, mas de coração!". Todo cuidado com as letras, conduzi-las com cuidado para que não saíssem tortas, diminuí-las para caber toda a escrita! Reunir para comemorar... abraços verdadeiramente apertados e aconchegantes!!! Risos por causa de uma piadinha ou outra! Mesmo com o passar o tempo, sua genuína "lerdeza" em não entender trocadilhos não perdeu a graça. Pelo contrário, a graça, a beleza disso é porque faz parte da sua essência... da sua personalidade! 

Hoje, mesmo distante, carrego comigo nossas boas e más lembranças... as risadas com as duas mãos no rosto tampando a boca para abafar o riso; as longas caminhadas; as viagens; os filmes; shows; músicas; as lágrimas; as discussões - "não fala pra eu ficar calma, isso me irrita mais ainda!"; os brigadeiros de colher; as baciadas de pipoca salgada regadas com muito ketchup, as vezes, para acompanhar, um Zap Cola geladim, Guaraná Mineiro, ou algumas latas de coca-cola; os cafés com pães de queijo ou pão com mortadela... as bolachas Bono de chocolate... sim!!! Vivemos tudo isso!!! Aaaaaahhhh... o delicioso arroz frito do FonPin com Schweepps Citrus... esquecendo algo, né?! 

Sim, foi você quem me fez pedalar aos trezes anos. E depois daquelas vezes, não tive mais coragem de subir em uma bicicleta! [risos]

Não vou estender mais... contudo, estou ouvindo Engenheiros do Hawaii - acústico MTV... lembrando das nossas tardes de sábado ouvindo e contarolando juntas, empolgadas [risos]... raspando o fundo da bacia de pipoca com a ponta dos dedos! Lembra?! 

Lembrando também da coreografia da bola de sabão (vergonha alheia de mim mesma, mas era engraçada!) e das suas repetidas falas persuasivas: "se você ver um corsinha vermelho, você corre, mas corre muito, viu!?" [rindo muito agora] 

Bons momentos!!! Maravilhosas lembranças!!!

Posso, trinta [risos] fevereiros depois, mesmo passando por estradas diferentes, continuar repetitória, porque esta é a verdade. Você é minha referência, foi meu abrigo por diversas ocasiões. E como já disse muitas outras vezes, não há como pagar tudo o que fez por mim! 

Minha irmã mais velha, minha amiga, minha referência!!! Feliz aniversário!!! 

"... seria mais fácil fazer como todo mundo faz... Mas, nós vibramos em outra frequência, sabemos que não é bem assim... se fosse fácil achar o caminho das pedras, tantas pedras no caminho não seria ruim!" - Outras frequências - Engenheiros do Hawaii.

*[imaginando] pude ouvir daqui a risada do nosso amigo, nosso caríssimo cidadão honorário catarinense, ao entender a referência e você perguntando quem é Manoel Gomes! Sim!!! Continuo perdendo amizades por não perder as piadas!!! 

**E eis que eu errei a data, o correto é noventa e cinco, não noventa e oito como pensei anteriormente!!!! 

21:45, décimo dia do segundo mês de 2025.

domingo, 10 de setembro de 2023

A Ponte...

Ponte,

uma ligação

uma separação

do precípio alturas profundas

águas lentas imundas

redemoinhos de pensamentos

redemoinhos traiçoeiros

perigosos momentos

mergulhos nos nevoeiros

grito

salto

impacto

mergulho profundo...

12:25, décimo dia do nono mês de 2023.

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Que delícia!!!

 



Escrever é uma das coisas que faz com que eu desligue um pouco os pensamentos acelerados... agora, escrever com música, com música boa, vou te contar!!! É uma delícia!!! Olha a playlist que encontrei no YouTube antes de retornar ao texto da postagem anterior! 

Uma playlist de Happy Blues! Será minha playlist matinal! Instrumental maravilhoso!!! Estou encantada! Vou deixar o link abaixo pra quem quiser ouvir um tiquim! Depois contem se gostaram. Se não é seu estilo musical, permita-se. Se não quer permitir conhecer boa música, por favor, feche esta aba e vá cuidar dos seus afazeres e ouvir sua boa música! [risos] Eiiiii!!! É brincadeira!!! Foi só uma sugestão sugestiva! 

É que minha escrita pareceu fluir mais! Estou com o corpo relaxado. 
Detalhe: estou utilizando fones de ouvido! Gosto!! 

Link do vídeo: Canal Blues Lounge Happy Blues  (YouTube)

11:07, quarto dia do nono mês de 2023.

Ainda sobre livros e outras coisas...

Ontem comecei minha luta para colocar as coisas no devido lugar. Fisicamente, claro; porque mentalmente nem sei por onde começar.

Dizem que organizar nosso espaço, limpar, doar, livrar-se de coisas que não precisamos mais, ajuda no quesito saúde mental. Mas, é um processo exaustivo. Optei começar pelos livros, pensei ser mais ágil. Só que a pessoa não se contenta em só guardar... precisa de um certo processo (óbvio, dadas as circunstâncias), algo simples: limpar armário, limpar os livros, listá-los, contá-los e depois colocar nos devidos lugares [fiz uma planilha para organizar essas informações]...

[alguns dias depois... novo mês!!!!@@@@####$$$$%%%%¨¨...]

Retomo este texto já no quarto dia do nono mês de setembro de 2023. O quarto parece uma casa que acabou de receber novos moradores: caixas e livros empilhados, armários para organizar, só as coisas básicas para a rotina diária e a cama arrumada; guarda roupas também em fase de organização. 

E não bastasse a enorme lista de livros físicos para ler, outro dia inventei de começar a ler um livro on-line... resultado, na primeira página já tomei um puxão de orelha: lembrei das sessões de terapia, nas quais a psicóloga dizia que a organização do meu espaço refletia na organização da minha mente e ao contrário era válido. Além disso, uma passagem de um livro famoso na qual um dos personagens diz: "se não sabe onde quer ir, todos os caminhos servem." (mais ou menos isso).

Sim, penso que raras as vezes mantive minha mente organizada e, consequentemente, focada em algo... tudo nos seus devidos lugares, lugares limpos, arejados. 

Depois de um mês de quase total isolamento social, passei por um período de longas cinco semanas de internação hospitalar. Posterior, mais semanas em casa. A sensação é que desaprendi tudo o que sabia. Sinto minha mente atrofiada, meu corpo atrofiado, meus movimentos atrofiados. Agora é o recomeço... agora a terapia mental e física, agora os primeiros passos, os primeiros movimentos... e até poucas horas eu queria tudo de uma vez: vida pessoal, faculdade, trabalho, quarto, tudo organizado e pronto para retomar, esqueci as pernas trêmulas e o corpo bobo, esqueci da mente dispersa e faltou ar, senti tudo rodar, as vistas escureceram, muitas cobranças, indiretas e diretas porque sou adulta e preciso estar bem. A família nos impõem; nossos valores nos impõem; nossos amigos e colegas impõem; eu imponho que tenho que estar pronta imediatamente para tudo. Por que? Eu não sei a resposta! 

Então, lembro de uma das conversas com a psiquiatra. Estávamos no pátio, era uma sexta-feira de manhã, por volta de nove e pouca da manhã, céu azul, quase límpido, poucas nuvens ralas, o vento estava presente, brincando como as folhas da mangueira jovem ali perto de nós, balançando nossos cabelos, fazendo com que nossos dedos os colocassem atrás da orelha numa tentativa de ficarem quietos, em vão, claro! Depois de alguns minutos da minha fala chorosa, ela respondeu que eu deveria levar a vida de uma maneira mais leve, que uma receita de bolo (grosseiramente falando, um exemplo básico) não era executada colocando tudo dentro de uma vasilha e levado diretamente ao forno. Há processos, há medidas, há tempo, há atenção, há cuidados e eu precisava disso, caso eu quisesse um bolo gostoso. Naquela hora, como em outros momentos, senti aquela analogia como fosse uma coisa besta. Hoje faz sentido. Eu quero um bolo pronto, sem seguir os processos, sem observar as medidas, sem o tempo necessário. Não vai prestar!

Um padrinho meu disse uma vez: "primeiro as primeiras coisas!"; na terapia ouvia que era importante ir por partes, pequenas partes, um passo por vez. Aquela máxima: "Um pequeno passo para uma grande jornada." É preciso começar, só começar. Olho em volta, eu sou o centro, o ponto de partida, preciso começar por mim. Autocuidado, autoconhecimento... 

08:39, vigésimo terceiro dia do oitavo mês de 2023...
[...]

10:47, quarto dia do nono mês de 2023.