domingo, 15 de março de 2020

2020 - duplo

Indo na contramão da mídia e alarde mundial, estou no meu mundinho seguindo da forma mais natural possível! Quase uma lady ! Eu disse quase, porque faltariam quilômetros e mais quilômetros para chegar a ter a compostura de uma lady. Convenhamos, não tenho postura para tal. 

Um suposto  novo vírus trouxe pânico para a população mundial. Daí surgem alguns questionamentos acerca do nosso comportamento. Questionamentos da minha ignorante mente! 

Já atingimos os 7 bilhões de humanos? "Sou Boa em português, mas a matemática me derroba!"  Esse vírus seria capaz de nós dizimar em questão de dias, semanas ou meses? 

No momento lembro da Peste Negra que dízimou parte da Europa. Quantas pestes dizimaram outras tantas milhares de pessoas ao longo da existência humana, antes e depois da Peste Negra? 
Não digo peste apenas no sentido de doença física, digo no sentido de arrogância, ganância e demência. Pestes sem cor, sem língua específica, pestes democráticas avassaladoramente impiedosas. Somos a sucessão de erros melhorados. Nações foram destruídas e países reconstruídos. O que aprendemos? Falemos de algo próximo e de um conhecimento geral. Século XX, Primeira Guerra Mundial e seus desdobramentos; Holocausto;  Segunda Guerra Mundial; Nagasaki e Hiroshima; Guerra do Vietnã; Guerra Fria, muros, máfias, governantes "discarados", ditaduras das cordilheiras aos litorais. Pessoas morrendo em vão, outras em vãos escuros. Silêncio segregacionista. Silêncio sedento e faminto. Desertos de corpos movendo-se sobre a aridez geográfica e sob a mesquinhez humana. O que aprendemos? 

E agora o mundo se rende ao sopro de um vírus mais forte que os Mercenários dos filmes norte-americanos. E agora as bolsas disparam, fronteiras se fecham. Ninguém tosse! E se tosse, Epicuro que se cuide! Quarentena que não dura uma novena! 

Só eu acho isso engraçado? Ridiculamente engraçado, óbvio! Capazes de pisar na Lua, e tão incapazes assim de conter um agente infectante microscópico. [Correção: vírus não é microorganismo!! Escrevi errado no texto inicial. Contudo, alertada por um amigo biólogo, corrigi minha gafe! Vírus é uma cápsula protéica que envolve material genético DNA, RNA ou, em alguns casos, os dois juntos] O que aprendemos? Somos contraditoriamente caça e caçador, somos coragem e covardia! 

E escrever é isto! Uma junção do tempo e das circunstâncias. Escrevo ouvindo música, vocês sabem! Logo, ao pensar que tinha finalizado o texto, eis que começou a tocar na playlist uma música que, francamente, é um poema atemporal! O que aprendemos? 

Lenine - Paciência

*Correção: explicação do meu amigo biólogo e também explicação disponível em: https://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/biovirus.php 

03:43, décimo quinto dia do terceiro mês de 2020

4 comentários:

  1. Tu escreves muito bem. Adorei a reflexão e o post sobre o coronga vírus ��

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  2. Quando um vírus atinge o coração do capitalismo mundial, o mundo para. Mas se esse vírus se restringisse apenas a periferia do capitalismo, é bem provável que nada desse alarde faria sentido. Contudo, já que está aqui, é preciso fazer o possível e o impossível para não ter um caos na saúde pública.
    Entendo perfeitamente sua colocação, como diria o "karlinho", ainda estamos na pré-história...

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